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Inverno

O saborear dos dias... com maior deleite e meticuloso vagar.

Inverno

Coisas que Gosto - Caçadores de Sonhos... Sinos de Vento...

13.12.18 | Maria Rocha Soares

 

 

 

 

 

Filtro dos sonhos, apanhadores de sonhos, caçadores de sonhos, cata-sonhos ou, - ainda -, espanta pesadelos e em inglês... dreamcatcher são uma das minhas grandes paixões!

 

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Num lindíssimo marcador de livros

 

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Tenho vários. Um na cabeceira da cama. Um na janela da sala. Outro na cozinha.  Adoro-os! De tal forma que mal os vejo expostos, não me canso de os apreciar, acariciar. Às vezes adquirir, um. Por acaso, os que tenho, foram-me oferecidos. E eu... já tenho oferecido alguns.

 

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O dreamcatcher é um amuleto tradicional da cultura indígena Ojibwa ou Chippewa.

 

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Os Ojibwe

 

Os Ojibwe são um povo indígena da América, que vivia dividido entre os Estados Unidos e o Canadá. Esta tribo acreditava que uma das principais missões dos seres humanos na Terra era decifrar os sonhos, porque eles traziam mensagens importantes sobre o funcionamento da vida, da natureza e do universo.

Os Ojibwe crêem que, quando a noite cai, o ar se enche de sonhos, bons e maus. Alguns deles, mesmo sendo pesadelos, podem conter mensagens importante do Grande Espírito. Então, estes sonhos acabam por ser um aviso e podemos considerá-los bons. Porém, existem muitos sonhos e energias maus flutuando à nossa volta que não são exactamente, nossos. Esses, sim. Podem fazer mal. Para separar estes sonhos e energias prejudiciais, existem os (cata sonhos) dreamcatchers.

A tradição manda que as teias coloridas sejam penduradas sobre o berço dos bebes e cama das crianças. Os sonhos bons, sabendo o seu destino, conseguem passar pelo buraco central da teia. Os sonhos maus ficam perdidos e aprisionados nesses fios. Quando os primeiros raios de sol surgem, os sonhos maus desfazem-se e desaparecem.

Os círculos costumam são feitos com ramos de salgueiros maleáveis, revestidos com tiras de couro. Uma pena de coruja é colocada ao centro, representando o ar ou a respiração, função essencial para a vida. A criança observando a pena dançar ao vento, aprende uma lição sobre a importância do ar. A pena de coruja fêmea, simboliza a sabedoria. Se for uma pena de águia, masculina, serve para dar coragem.

Para captar os sonhos dos adultos, os dreamcatchers são trançados em fibra, não com ramos de salgueiros de forma a tornarem-se mais resistentes.

 

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LENDA:

 

Uma aranha fiava sua teia próximo à cama de uma avó indígena. Todos os dias ela a observava a trabalhar. Um dia o neto entrou e, ao ver a aranha na teia, pegou uma pedra para a matar com receio que fizesse mal à avó. Mas ela, não permitiu. O garoto achou estranho, mas respeitou a sua vontade. A mulher idosa voltou-se para observar mais uma vez o trabalho do animal e, foi então, que a aranha falou:

“Obrigada por salvares a minha vida. Vou dar-te um presente por teres feito isso. Na próxima Lua Nova vou fiar uma teia na tua janela. Quero que a observes com atenção e aprendas como tecer os fios. Porque esta teia vai servir para capturar todos os maus sonhos e as energias ruins que queiram atingir-te. O pequeno furo no centro, só vai deixar passar os bons sonhos e fazê-los chegarem a ti.”

Quando a Lua chegou, a avó viu a aranha tecer sua teia mágica. Agradecida, não cabia em si de felicidade pelo maravilhoso presente: “Aprenda”, dizia a aranha. Finalmente, exausta, a avó adormeceu. Quando os primeiros raios de sol surgiram no céu, ela acordou e viu a teia brilhando como uma jóia, graças às gotas de orvalho capturadas nos fios. A brisa trouxe penas de pomba, que também ficaram presas na teia, dançando alegremente e, por último, um corvo pousou nela e deixou uma longa pena pendurada. Por entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria alegremente. A avó, feliz, ensinou todos os membros da tribo a fazerem os filtros de sonhos. E assim se eternizou esse hábito de os tecer.



Furin

Sinos de Vento (Japão)

 

Furin significa literalmente “Sinos de Vento” e a sua origem é chinesa. São objectos simples caracterizados na maioria das vezes por uma esfera ou cilindro de vidro, cerâmica, metal, bambu, madeira... Dentro do qual há um pêndulo que balança ao sopro do vento, ecoando um som parecido como o de um sino.
O Furin não é apenas um objecto decorativo. Quando foi trazido para o Japão, acreditava-se que ajudava a proteger as pessoas contra todos os tipos de males e ajudava a afugentar os maus espíritos. Por isso, costumavam ser pendurados nos quatro cantos de templos e santuários. Sendo o seu tilintar também usado para espantar pequenos animais de perto das residências.

 

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A maioria dos sinos são acompanhados por um papel pendurado na parte inferior, onde pode ler-se a inscrição de um poema ou palavras de protecção.

Os primeiros devem ter surgido por volta de 1100 antes de Cristo, na China, usados para fins religiosos. Seriam um sino de metal sem badalo a que chamavam Yong zhong, feito por artesãos qualificados e usado principalmente em cerimónias religiosas. Posteriormente, os chineses criaram o Feng ling, semelhante aos actuais. 

Foi durante os Períodos Heian (794-1185) e Kamakura (1185-1333), que o costume se estendeu à aristocracia japonesa, que passou a pendurá-los nas varandas. O Furin atingiu o seu pico de popularidade durante o Período Meiji (1868-1912).

 

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Sejam pingentes de cristal. Cocha, contas...

 

Nutro uma paixão enorme por este género de adorno e os seus murmúrios, quando o vento os toca.

Algo me transporta para lugares de bem estar.  Paz!

 

 

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"Silêncio:
cigarras escutam
o canto das rochas"

 

Matsuo Basho

 

"E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?"

 

Matsuo Basho

 

 

 

 

 

O som do toque de cada tipo de Furin difere de um, para o outro. No Japão cada cidade tem o seu som característico e a forma como o Furin é fabricado também diverge entre elas.

 

 

post publicado em Fevereiro de 2017 Quarto Minguante