Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Inverno

O saborear dos dias... com maior deleite e meticuloso vagar.

Inverno

Compreender as diferenças entre os doces de Natal portugueses

21.12.18 | Maria Rocha Soares

 

 

 

Resultado de imagem para fritos de natal

 

Existem, na nossa rica gastronomia, variadíssimos manjares que vão às nossas mesas nesta época festiva. De entre os doces e não só, é a preferência pessoal (muito diversificada) e a natalidade de cada um, (a sua proveniência) que tem muita influência no que se come.

Poderíamos mencionar o Pão de Rala. A Lampreia de Ovos, ou a Torta de Laranja... como ficarão a faltar, as Farófias, os Mexidos... Inúmeros doces predilectos de alguns, que a outros, não dirão tanto.  Também é assim, nas restantes comidas. Em baixo, segundo o que se gosta e por vezes, não lembra, é só escolher. E... confeccionar.

Se bem, que muitos de nós, ainda confundamos um tipo de doce natalício... com outro diferente, apesar de os comermos desde sempre.

 

Receitas (tradicionais) de Natal desde o prato principal, a doces

 

Filhós ou Filhoses

 

As filhós são preparadas numa massa à base de farinha de trigo, a que se juntam ovos, leite, fermento e azeite. Algumas receitas também levam aguardente e, ou sumo de laranja. Esta massa, depois de amassada (batida) e levedada é frita, tradicionalmente em azeite, podendo ser coberta com mel, açúcar e canela.

Portugal tem uma variedade enorme destes fritos de Natal que abrange todo o pais. Desde as filhoses de Trás-os-montes às filhoses do Algarve e Ilhas podemos encontrar diversas maneiras de preparar, com formas, sabores e ingredientes dos mais diversos.

 

Azevias

 

As Azevias são pasteis recheados, geralmente à base de grão, batata doce, abóbora, ou doce de chila. O recheio pode incluir ainda, amêndoa aos pedacinhos. As azevias são fritas em óleo, deixadas a escorrer num prato com papel absorvente e depois (ainda quentes)  cobertas com açúcar e canela. Também se podem fazer estes pastéis no forno, ao invés de as fritar.

 

Sonhos, Brilhóis e Belhoses

 

Contrariamente às filhoses que são levedadas e estendidas, os sonhos não necessitam de ser levedados e são fritos às colheredas, tornando-se mais rápidos na preparação. Os tradicionais levam abóbora (em quantidade) para ficarem fofinhos e húmidos.

A massa é feita com: farinha, ovos, açúcar e raspa de laranja, a que se junta a abóbora cozida (bem espremida de agua). No fim, depois de bem sequinhos no papel absorvente, levam uma cobertura de calda de açúcar, ou apenas canela e açúcar.

 

 

Resultado de imagem para fritos de natal

 

Rabanadas, Fatias Douradas (ou, Paridas)

 

As Rabanadas ou Fatias Douradas são fatias de pão (da véspera) passadas por leite e depois por ovo batido que vão a fritar até ficarem louras. Cobertas, depois de bem escorridas do óleo da fritura, com calda de açúcar. Ou simplesmente polvilhadas com ele e de canela.

O nome de Paridas aparece documentado no século XV, citado por Juan del Encina, como sendo um prato indicado para a recuperação pós-parto. No Minho usa-se vinho branco, também, para as molhar e depois fritar. Contudo e ao invés de fritar, podem ser feitas no forno.

 

Coscorões

 

Como as filhoses, também são um dos doces tradicionais do Natal com presença obrigatória na mesa da consoada. Geralmente são mais pobres do que as filhós e os sonhos, porque são essencialmente massa frita, sem a presença da abóbora ou do sumo de laranja, mas sempre igualmente deliciosos.

 

Broas

 

Pequenas e muitas vezes decoradas com pepitas coloridas são feitas de batata doce, milho, ou de qualquer outro ingrediente e sabor, que depende da criatividade de quem as faz. As broas também podem ser guardadas durante vários dias sem perder o seu sabor. E são, como os restantes doces, presença constante nas mesas de Natal.

 

Borrachos ou Bufas

 

Fazem-se no Minho. São fritos elaborados com massa de pão ralado, ovos, açúcar e canela, servidos mornos dentro de uma calda de açúcar e vinho verde branco, pau de canela e casca de limão.

 

 

Resultado de imagem para toucinho do ceu

 

Toucinho do Céu

 

É um doce tradicional português, de origem conventual. O nome deve-se ao facto de a receita original ter sido confeccionada com banha de porco, em substituição da manteiga, que é proposta nesta receita. Esta deliciosa sobremesa é feita à base de açúcar, amêndoas e gemas.

É um doce muito apreciado por todo o país, existindo em certas regiões do nosso país, algumas variações do tradicional toucinho do céu. Acredita-se que a receita original foi criada pelas freiras que se encontravam isoladas no mosteiro em Murça.

 

Aletria

 

A aletria é também um doce de Natal presente nas mesas nacionais. Consiste numa massa muito fina, a que se juntam ovos, açúcar, casca de limão, leite, manteiga e pau de canela. Que, depois de cozida, se polvilha de canela em pó, fazendo-lhe desenhos alusivos à época.  

 

Arroz doce

À semelhança da aletria o arroz doce, tem basicamente a mesma confecção só que em vez de massa, se usa arroz. Sendo o arroz de tipo carolino o mais indicado para obtermos um arroz doce, cremoso. 

 

Tronco de Natal

 

O Tronco de Natal (em francês Bûche de Noël) é uma sobremesa típica, de Natal e Fim de Ano. O bolo (que na verdade é uma torta) é preparado e guarnecido, para que se pareça com um pedaço de lenha prestes a ser queimada, como se usava nos antigos festivais de fogos do Solstício de Inverno.

Leva ovos, farinha, açúcar (numa versão mais simples de pão de ló) cozida num tabuleiro grande e enrolada depois, de recheada com chocolate, na forma de cilindro. Existem muitas variações da receita original, podendo incluir massas e  sabores diversos. Glacés e recheios igualmente variados. São servidas fatiados de lado, para se assemelharem a um tronco serrado. A textura da casca-de-árvore é elaborada com creme de manteiga ou chocolate, arrastando um garfo na cobertura para a imitar. São decorados também com açúcar refinado para lembrar neve. 

 

Fonte: https://www.pingodoce.pt/historias-de-cozinha/artigos/fritos-de-natal/