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Inverno

O saborear dos dias... com maior deleite e meticuloso vagar.

Inverno

Os Enjeitados

23.10.18 | Maria Rocha Soares

 

 

 

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  • Como é que alguém com poucas posses "decide" ter vinte e quatro filhos?
  • Como desses todos, se escolhem aqueles, com que "não se pode ficar?"
  • Quem é que vende um filho por dinheiro e aceita, não saber mais dele, por toda a sua vida?
  • Como é que se consegue dormir à noite em paz, quando... qualquer mãe, se preocupa com o filho(a), seja ele o vigésimo terceiro ou o primeiro. Está sempre atenta ao que lhes acontece e, sem chorarem, os ouve chorar à noite. Levanta-se, às vezes ensonada e a custo,  para ver se estão bem e certificar-se, que: dormem como anjos?
  • Como se é capaz de olhar nos olhos, os filhos e "disfarçar" que falta um. Que esse, não foi comprar pão à padaria, nem regressará mais tarde da doutrina, mas está... para lá do vasto oceano, sabe-se lá a passar o quê?!
  • Como é que alguém supõe que todos os filhos de que se descartou, foram viver o "sonho americano" e seriam,... felizes, para sempre?!
  • Como se chama "necessidade" a desleixo, negociata. Livrar-se de "mais um peso..." - mais uma boca para alimentar, um corpo para vestir, educar e fazer dele homem ou mulher -,  quando não se é homem, nem mulher que chegue?
  • Como é que alguém acha que resolve os problemas dos filhos que já tem "metendo-se debaixo de um homem"(ipsis verbis)  que lhe dá dinheiro, na hora, mas traz-lhe mais um "problema" se para "livrar" no futuro?

 

Há coisas que não devíamos saber! E se por acaso sabemos, não devíamos calar, quanto mais ficarem impunes. Há coisas que por mais compreensão que se vá buscar, não se compreendem. Nem se admitem.

Talvez, a maior parte dos casos não seja assim tão simples de analisar, - se cada um é um caso, muito particular -, não obstante como se consegue passar por cima disto a achar normal, ou que é bem feito?!

"Há sempre uma solução, para tudo, menos para a morte..." dizem. Pode não estar na frente dos olhos hoje e amanhã, também não, mas existe! Quiçá, na aldeia vizinha, na cidade mais próxima, ou até no Continente. Há sempre alguém com quem se pode falar e pedir ajuda. Mas vender um filho? Não me falem de desespero, de vergonha, de dificuldades extremas... porque para os fazer não estiveram como "ss, nem rr". 

 

  • Como é que alguém explica aos outros, filhos e (em geral) por quê, aquele(a)... em detrimento de um qualquer? E como é que alguém consegue, se correu mal, não se recriminar por toda a vida pelo duplo mal que lhe causou? 
  • Como é que alguém pode encarar hoje um filho, que tenha (com a sua "decisão") sujeitado a violações e traumas infinitos... lá longe, na "terra de ninguém" sem alguém familiar ou conhecido por perto, para o salvar?
  • Como é que um filho "dado", ou, transaccionado, pode querer saber - agora -, de uma mãe, que nunca quis procurá-lo: Saber dele? Simplesmente "tratou do priblema" e não se fala mais nisso? 

 

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Separar-se de um filho na guerra, por ser tirado aos seus, é um horror e qualquer um de nós se emociona e revolta. Vemos todos  dias barcos cheios de crianças refugiadas, que fogem com os pais, em busca de melhor vida... e raro é a criança, deixada para trás. Quando partem, para o destino (melhor ou pior), trazem-.nos consigo. Enfrentam juntos a adversidade. Não percebo, como se "dá" um filho. Mas aceito que se tente dar-lhe melhor vida, em situações extremas. Porém, jamais sem saber onde está! E como está? 

Desligar-se completamente de quem se carregou nove meses no ventre e fazer de conta que não existiu... é-me completamente inaceitável. Privilegiar um, em detrimento dos outros todos... como se escolhe? E como se vive, sem saber... se está feliz? Se ainda respira?

 

 

 

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